fogão para frente e coloquei uma escada de cinco degraus, para limpar os azulejos da parede.
Da escada para o lado direito havia um espaço de uns 80 cm e tinha uma pia. A esquerda havia um espaço de um metro, a geladeira e uma fruteira, ao lado da fruteira estava a entrada para um pequeno corredor que terminava em um armário embutido. Do outro lado da geladeira, havia outro corredor comprido que dava para os quartos e por fim a sala.
Eu subi na escada e comecei a limpar os azulejos. Estava no último degrau quando de repente eu não era uma, e sim... duas!
Uma estava na escada, e a outra na entrada do corredor que dava para os quartos.
Eu me via na escada, mas toda a minha consciência, toda a minha sensibilidade, todo meu “eu” estava em pé, ali no corredor, eu era duas... uma na escada e outra no corredor.
Eu me olhava e achava normal, não tive nenhuma sensação de assombro, não me apavorei, não tive reação nenhuma.
Simplesmente me via como se fosse uma irmã gêmea, aceitei normalmente.
A da escada, continuava limpando os azulejos, normalmente, sem perceber nada, sem sentir nada, sem interferência alguma.
E “eu”, ali....
Quando digo “eu”, digo porque essa parte de mim tinha consciência, era totalmente consciência, naquela hora, eu era aquela ali, em pé no corredor.
Olhando para a escada, falei para mim mesma: - Eu vou cair...
Olhei o espaço e pensei: - Vou cair e me machucar, não tem espaço!
O fogão, a pia, a geladeira e a fruteira ficavam perto um do outro. Se eu caísse iria bater em alguma coisa, com certeza.
Esse reflexo de queda foi tão rápido, tão rápido que no instante seguinte, eu já estava com consciência na escada, e pensei: - Vou cair..
E cai... cai do quinto degrau da escada, cai no chão.
Não sei como cai, num espaço tão pequeno, eu tenho 1,70m de altura, cai na posição de U, e nada me aconteceu, não bati a cabeça, braços e nem pernas. Cai sentada, foi como se alguém me segurasse, e me deixasse cair em câmara lenta.
O susto foi enorme..., meu filho que na época estava com 4 anos, veio correndo assustado, queria chamar a avó, mas eu não deixei.
Pedi que ele ficasse ali comigo, e que rezasse, eu me estiquei no chão, fiz respiração controlada, pois estava toda tremendo, rezei e ma acalmei.
Depois de algum tempo, me levantei, tomei água, sentei um pouco, e pensei em tudo que havia acontecido.
Era a primeira vez que me acontecia algo dessa natureza....
Sem dúvida alguma, meu Anjo estava ali comigo, Graças a Deus.
Logo após esta passagem, eu e meu filho, minha mãe e minha cunhada fomos visitar o Monte Serrat. Era a primeira vez que meu filho ia lá.
Subimos o morro de bondinho. Ele ia conhecer a Igreja de Nossa Senhora do Monte Serrat, que é a Padroeira da cidade de Santos- SP.
Foi gostoso ver a emoção dele, quando o bondinho subia, era tudo novidade, ele vibrava.
Chegando lá em cima, passamos pelos espelhos que engordam e, ele ficou espantado.
Demos uma volta pelas redondezas, admirando a vista, pois é muito bonito ver a cidade de Santos lá de cima.
Depois passamos pela sala dos milagres, muitas e muitas pessoas já alcançaram graças dessa Santa Padroeira, e nessa sala, dá para sentir o quanto.
Após vermos tudo entramos na Igreja, sentamos os quatros, num banco no meio da igreja, pois ela estava vazia, só havia mais duas pessoas.
Comecei a rezar, olhando paredes, olhando a Santa..., Envolvi-me.
De repente, aconteceu de novo.
Eu não me sentia mais no banco no meio da igreja e, sim, em pé lá no fundo da igreja, encostada na parede de azulejos brancos e azuis.
De lá onde estava, via a igreja inteira, olhei para todos os lados, o mais interessante é que nesse estado alterado, percebi detalhes que nunca havia percebido antes, quando estava em estado normal.
Olhei tudo e depois fiquei somente olhando para os quatros que estavam sentados no banco.
Novamente, todo o sentimento, todo o pensamento era somente meu; ali de pé na parede eu tinha todo o controle dos meus sentidos, aquela sentada parecia que estava vazia, oca, não tinha sentidos...
A sensação para explicar melhor, seria esta.
A Beth sentada seria uma embalagem vazia. A Beth em pé, seria o todo, o conteúdo.
O mais estranho e que, eu lidava com isso normalmente, como da outra vez; não fiquei apreensiva nem assustada, lidava com as duas Beths muito bem.
Não sei exatamente quanto tempo isso durou, sei que voltei para o meu corpo e agi normalmente, não senti impacto algum nem alteração no meu físico.
Agradeci a Nossa Senhora e saímos da Igreja.
Sentamos lá fora, pois estava uma tarde linda. Mais tarde descemos o morro de bondinho e fomos para casa.
Essa foi a segunda vez, que isso me aconteceu, é por isso que eu acredito que, a gente nunca morre. O espírito vive além do físico, ele é igual a nossa embalagem, só que em matéria fluídica.
Acho que no dia do meu desligamento, quando ver minha embalagem vazia, eu irei aceitar muito bem...
Assim espero!
Beth.