quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Desdobramentos

          Numa tarde de segunda-feira, eu estava fazendo faxina na cozinha. Tinha puxado o
 fogão para frente e coloquei uma escada de cinco degraus, para limpar os azulejos da parede.
         Da escada para o lado direito havia um espaço de uns 80 cm e tinha uma pia. A esquerda havia um espaço de um metro, a geladeira e uma fruteira, ao lado da fruteira estava a entrada para um pequeno corredor que terminava em um armário embutido. Do outro lado da geladeira, havia outro corredor comprido que dava para os quartos e por fim a sala.
         Eu subi na escada e comecei a limpar os azulejos. Estava no último degrau quando de repente  eu não era uma, e sim... duas!
         Uma estava na escada, e a outra na entrada do corredor que dava para os quartos.
         Eu me via na escada, mas toda a minha consciência, toda a minha sensibilidade, todo meu “eu” estava em pé, ali no corredor, eu era duas... uma na escada e outra no corredor.
         Eu me olhava e achava normal, não tive nenhuma sensação de assombro, não me apavorei, não tive reação nenhuma.
         Simplesmente me via como se fosse uma irmã gêmea, aceitei normalmente.
         A da escada, continuava limpando os azulejos, normalmente, sem perceber nada, sem sentir nada, sem interferência alguma.
         E “eu”, ali....
         Quando digo “eu”, digo porque essa parte de mim tinha consciência, era totalmente consciência, naquela hora, eu era aquela ali, em pé no corredor.
         Olhando para a escada, falei para mim mesma: - Eu vou cair...
         Olhei o espaço e pensei: - Vou cair e me machucar, não tem espaço!
         O fogão, a pia, a geladeira e a fruteira ficavam perto um do outro. Se eu caísse iria bater em alguma coisa, com certeza.
         Esse reflexo de queda foi tão rápido, tão rápido que no instante seguinte, eu já estava com consciência na escada, e pensei: - Vou cair..
         E cai... cai do quinto degrau da escada, cai no chão.
         Não sei como cai, num espaço tão pequeno, eu tenho 1,70m de altura, cai na posição de U, e nada me aconteceu, não bati a cabeça, braços e nem pernas. Cai sentada, foi como se alguém me segurasse, e me deixasse cair em câmara lenta.
         O susto foi enorme..., meu filho que na época estava com 4 anos, veio correndo assustado, queria chamar a avó, mas eu não deixei.
         Pedi que ele ficasse ali comigo, e que rezasse, eu me estiquei no chão, fiz respiração controlada, pois estava toda tremendo, rezei e ma acalmei.
         Depois de algum tempo, me levantei, tomei água, sentei um pouco, e pensei em tudo que havia acontecido.
         Era a primeira vez que me acontecia algo dessa natureza....
         Sem dúvida alguma, meu Anjo estava ali comigo, Graças a Deus.
         Logo após esta passagem, eu e meu filho, minha mãe e minha cunhada fomos visitar o Monte Serrat. Era a primeira vez que meu filho ia lá.
         Subimos o morro de bondinho. Ele ia conhecer a Igreja de Nossa Senhora do Monte Serrat, que é a Padroeira da cidade de Santos- SP.
         Foi gostoso ver a emoção dele, quando o bondinho subia, era tudo novidade, ele vibrava.
         Chegando lá em cima, passamos pelos espelhos que engordam e, ele ficou espantado.
         Demos uma volta pelas redondezas, admirando a vista, pois é muito bonito ver a cidade de Santos lá de cima.
         Depois passamos pela sala dos milagres, muitas e muitas pessoas já alcançaram graças dessa Santa Padroeira, e nessa sala, dá para sentir o quanto.
         Após vermos tudo entramos na Igreja, sentamos os quatros, num banco no meio da igreja, pois ela estava vazia, só havia mais duas pessoas.
         Comecei a rezar, olhando paredes, olhando a Santa..., Envolvi-me.
         De repente, aconteceu de novo.
         Eu não me sentia mais no banco no meio da igreja e, sim, em pé lá no fundo da igreja, encostada na parede de azulejos brancos e azuis.
         De lá onde estava, via a igreja inteira, olhei para todos os lados, o mais interessante é que nesse estado alterado, percebi detalhes que nunca havia percebido antes, quando estava em estado normal.
         Olhei tudo e depois fiquei somente olhando para os quatros que estavam sentados no banco.
         Novamente, todo o sentimento, todo o pensamento era somente meu; ali de pé na parede eu tinha todo o controle dos meus sentidos, aquela sentada parecia que estava vazia, oca, não tinha sentidos...
         A sensação para explicar melhor, seria esta.
         A Beth sentada seria uma embalagem vazia. A Beth em pé, seria o todo, o conteúdo.
         O mais estranho e que, eu lidava com isso normalmente, como da outra vez; não fiquei apreensiva nem assustada, lidava com as duas Beths muito bem.
         Não sei exatamente quanto tempo isso durou, sei que voltei para o meu corpo e agi normalmente, não senti impacto algum nem alteração no meu físico.
         Agradeci a Nossa Senhora e saímos da Igreja.
         Sentamos lá fora, pois estava uma tarde linda. Mais tarde descemos o morro de bondinho e fomos para casa.
         Essa foi a segunda vez, que isso me aconteceu, é por isso que eu acredito que, a gente nunca morre. O espírito vive  além do físico, ele é igual a nossa embalagem, só que em matéria fluídica.
         Acho que no dia do meu desligamento, quando ver minha embalagem vazia, eu irei aceitar muito bem...
         Assim espero!            
Beth.


Anjo da Guarda

           Eu e meu grupo estávamos em mais uma reunião de cura.
           Tudo transcorria dentro dos padrões. Lá pelo meio da reunião, comecei a sentir algo estranho. Uma inquietação, uma sensação de angústia. Entrei em oração, pedindo ajuda, pois não queria interromper a reunião, dizendo o que estava sentindo. Assim fiquei.
           Rezava e pedia ajuda, para poder saber o que seria essa sensação. O tempo passava, e eu continuava a me sentir cada vez mais angustiada. Um aperto no coração, a garganta sufocada e entrando num desespero total. Nesse estado, de repente, eu me vi em uma mata. Era mato por todos os lados. Fiquei confusa. Era uma reunião de cura, e eu estava ali, no meio de uma mata fechada.
           Pensei... Controlei-me, e fui andando, abrindo caminho pela mata. Não havia nada, olhava para um lado, para o outro e nada, nem casa, nem estrada, nem luz. A única luz que tinha era a da lua, e por sinal estava linda, brilhando muito. Fui andando e cheguei a uma trilha.
Que alivio!
          Achei que essa trilha me levaria a alguma casa. Andava e nada. De repente no meio da trilha, vi uma coisa que se mexia no chão. Eu não sabia o que era.Não sabia se era bicho, não dava para perceber direito. Aquilo se mexia devagar. Eu não  sabia o que fazer.
E aquela sensação aumentava e a angústia também. Não sei como, a luz da lua clareou e eu pude ver que aquilo no chão era um bebê. Alguém teve ou abortou o bebê e o largou ali.
Ele ainda estava envolto com a placenta, estava todo sujo de terra. Era horrível ver aquilo.
Eu fiquei ali parada em estado de choque.
         - MEU DEUS, o que faço!
         Nesse instante, no alto, no meio da mata, vi um brilho prateado e azulado.
         Aquilo desceu e veio para o chão. Eu gelei!
         - MEU DEUS! Uma cobra!
         Era uma cobra enorme e grossa. Eu estava apavorada. Nesse estado, eu não tive mais condições de me manter ali sozinha.Voltei desesperada, e acabei interrompendo a reunião;
contando tudo o que estava acontecendo. A mentora do meu Grupo pediu que me acalmasse e solicitou para que todos os membros do grupo mentalizassem e tentassem chegar ao lugar.
         Eu me concentrei e cheguei logo. Em poucos instantes e mentora e uma companheira, ali estavam ao meu lado.
         Ao olharmos, ficamos estáticas.
         Aquela cobra, tinha feito um circulo em volta da criança, e levantava a cabeça bem em frente de nós.
         Passado o primeiro impacto, nos controlamos e, entramos em oração, pedindo guarda e proteção para aquela criança.
        Eu, que não entendo nada de cobra, depois de muito olhar, achei que aquela tinha alguma coisa diferente.
        Ela estava ali e parecia que nos via. Olhando em nossa direção, sem se mover.A cabeça tinha a largura de um palmo. Ela era igual a uma naja. Sua pele era tipo de uma escama, com cores em azul e prata. Com a luz da lua, dava um efeito cintilante muito lindo.
        Assim ficamos ali no mato, as três, em fervorosa oração. Eu orava e pedia para que alguém aparecesse. Mas nada acontecia. Aquela sensação não me abandonava.
       Até que de repente, a sensação foi mais forte, me oprimindo mais, a angustia chegou ao auge. Durou por alguns minutos e serenou completamente.
       Nesse instante a cobra se mexeu, abaixou a cabeça, foi virando para voltar para a mata. E diante de nós, sumiu. A criança havia morrido. Sentimos isso tão claramente.
      Ali só estava o corpinho do bebê seu espírito já tinha se retirado.
      Como é triste! Negaram-lhe direito a vida.
      Senti isso tão profundamente, fiquei arrasada, chorei, chorei muito.
      Deus dá a benção de ser Mãe, mas as pessoas têm o livre arbítrio. Aqui tentam passar por cima e acham que estão certas. Porém, do lado de lá é que verão o quanto se errou.
      Todos do Grupo sentiram muito. Do lado material não foi possível fazer nada. Mas do lado espiritual, graças a Deus foi feito.
      Mais tarde ao final da reunião, veio o nosso mentor espiritual, e nos disse que a nossa ajuda tinha sido de grande valia. Que aquele espírito tinha que reencarnar. Precisava muito dessa volta. Mas a mãe não o queria, não o assumiu. Comprometeu-se ainda mais  com o plano espiritual.
      Disse também que tudo aquilo que eu tinha sentido, foi passado do espírito do bebê para mim. Encaminharam-me para poder ajudar a fazer a passagem. O espírito necessitava de todo o nosso amor.
      E aquela cobra diferente, não era uma qualquer. Era um guardião que precisava ter aquela forma para proteger aquele corpinho. Pois ali no mato, havia animais que poderiam atacá-lo.
     O espírito conseguiu receber toda a ajuda necessária do plano espiritual. E, de nós, graças a Deus, recebeu muito amor e orações.
     Não sei o que aconteceu comigo, depois dessa passagem. Não vou dizer que gosto de cobras. Mas desde então, passei a vê-las com outros olhos.
          Beth