terça-feira, 1 de maio de 2012

Minha Descoberta


Começava mais um dia, só que era um dia especial. Era sete de julho de 2007, nesse dia às 8h15 iria se formar uma rede mundial, que trabalharia no envio de energia em favor da Mãe Terra.
Tive conhecimento dessa rede, por meio de uma amiga muito especial, e nesse dia, exatamente nesse horário, eu me coloquei em estado de oração e meditação. Meu tempo era curto; eu não poderia participar o tempo integral da corrente, pois tinha que trabalhar. Até pensei em me atrasar...
Fiquei então, concentrada e mentalmente comecei a ver a Terra. Em minha mente a imagem parecia a tela de uma televisão. Vi as montanhas, o mar, as matas, os rios, as flores, as arvores, os pássaros; eu via toda a natureza, com toda sua beleza!
Era um filme maravilhoso; imagens coloridas e ricas em detalhes e em movimento: era fascinante!
De repente parei e estava no meio da natureza; eu estava entre a vegetação, na mata. Olhei para o chão, bem perto dos meus pés começou a se formar um vórtice em sentido horário, que foi se aprofundando para o centro da terra.
Eu ali parada bem na beiradinha do vórtice, continuava a olhar e então comecei a impor as mãos para o buraco que se formava. A energia em volta do buraco era linda. Muitas luzes, muitas cores; era tão rápida a velocidade que aquilo rodava – que eu fiquei como que hipnotizada.
As cores davam um efeito multicolorido que eu nem sei como descrever. Foi maravilhoso. E nesse estado – de repente – eu não estava mais ali e sim no espaço. Isso mesmo, no espaço! Eu flutuava fora da Terra e a via ao longe.
Por volta do ano 2000 eu comecei a ter uma visão diferente da Terra. Sempre que tentava meditar – quando começava a me concentrar-, eu me via fora da Terra, me via no espaço. Via-me parcialmente – eu sabia que estava lá, mas não via meu corpo. O máximo que eu via ou sentia, era o meu rosto! Era assim que eu me via. E assim, por vários anos, eu saia e via a Terra. Mas, tem outro detalhe: a visão da Terra era sempre na perspectiva do meu lado esquerdo. O planeta Terra estava sempre a minha esquerda e até hoje não sei porque!
Nesse dia não foi diferente – do nada eu estava lá, vi o planeta Terra e como sempre me emocionei, como sempre chorei...Foi tudo igual.
Com o passar de alguns minutos, para minha surpresa, o que eu vi me deixou tão feliz, que chorei... (e ao relembrar agora escrevendo chorei também).
O que vi foram as minhas mãos! De repente eu estava com os braços e as mãos estendidas passando energia para a Terra. Foi uma emoção única... Mas emoção maior deu-se alguns segundos depois: eu com minhas mãos em forma de concha e de cada palma das mãos saíam focos de luz que iam em direção a Terra.
- Meu Deus! A luz que saía do centro de cada palma das mãos parecia um holofote, uma luz fortíssima e brilhante. Quanta emoção... Meu coração batia rápido, eu estava toda acelerada, não cabia em mim, era muita coisa boa acontecendo...
Mas não acabou aí; alguns segundos mais formaram-se ao meu lado e ao redor da Terra vários focos de luz, iguais aos que saiam das minhas mãos. Havia outras pessoas, como eu, fazendo a mesma coisa, naquele mesmo lugar – só que eu não as via. Foi maravilhoso! Nunca vou esquecer essa imagem!
Gostaria de saber pintar para passar para a tela essa imagem. Gostaria também, que muitas pessoas partilhassem dessa visão, que realizassem essa mentalização e projetassem conscientemente essa luz para a Terra.
Na minha visão os focos de luz se tornaram um circulo muito forte e eu sentia não só a energia direcionada a Terra, mas também a que fluía ao redor do circulo. Foi uma sensação inigualável.
Assim fiquei mais alguns segundos, e voltei a mim, e logo em seguida voltei ao trabalho.
Fiquei meio zonza, parecia que estava levitando; levei alguns minutos até voltar ao estado normal...
Essa experiência foi muito marcante, e depois de muito pensar, acho mesmo, que nada é por acaso.
Anos seguidos eu me projetei no espaço fora da Terra, tendo aquela visão maravilhosa do planeta, e somente um dia, uma vez houve a união e o circulo com outras pessoas, que eu acredito, assim como eu tiveram o mesmo cursinho!!!
Beth

A Moça....


Era madrugada, por volta das quatro horas da manhã. Estava dormindo, quando acordei sentindo uma presença! Abri os olhos e vi aos pés da minha cama, uma moça e um homem muito alto. Fechei os olhos, esfreguei as mãos neles, achando que estava sonhando. Não estava. Ali, aos pés da cama continuava a moça e o homem.
A moça era de estatura baixa, estava vestida com uma blusa colada no corpo, uma saia curta e um colete comprido chegando aos quadris; dava a impressão que era de couro; toda a roupa era escura; não consegui definir o tom. O cabelo era curto, tipo chanel, com as pontas bem desfiadas e espetadas; usava uma maquiagem forte. Parecia ser uma roqueira ou gótica.
         Ela andava de um lado para o outro, olhando para baixo, como se estivesse procurando alguma coisa. Eu tinha certeza que ela não me via, e nem sabia que estava em uma casa. O homem estava atrás dela. Eu sabia que era um homem, mas não via o seu rosto; ele era muito alto. Na posição em que ele estava - bem encostado ao guarda-roupa - o que seria a cabeça dele, chegava quase no maleiro. Ele não estava vestido com roupas iguais às que usamos. Usava uma túnica clara. Estava imóvel.
         No começo da visão, achei que os dois estavam juntos, que eram companheiros, mas depois notei que a moça também não percebia a presença dele. A moça continuava a andar de um lado para o outro, como que à procura de algo que não achava. De repente ela foi para o lado de porta do quarto e não apareceu mais.
         O homem continuava imóvel e de repente, uma luz bem pequena percorreu todo o contorno de seu corpo. Como no filme “Jornada nas Estrelas”, quando faziam o tele transporte, o corpo dele começou a desaparecer, devagar foi sumindo, sumindo... Sumiu.
Fechei os olhos e adormeci. Acordei no horário de sempre, às 6h30. Levantei, e me lembrava, muito bem, do ocorrido. Tomei café e fui trabalhar.
         Durante o dia vinha, constantemente, em minha mente o acontecido. Por que aquela moça estava em casa? O que ela queria? O que procurava? Quem era aquele homem? Estava mesmo com ela? Por que eu não via o seu rosto? Ele aparentemente não tinha nada a ver com ela. Eram muitas perguntas; perguntas sem respostas.
         Era a primeira vez que eu via alguma coisa em casa. Depois que fui morar no apartamento, não tinha acontecido nenhuma visão. Algum significado tinha aquela aparição. Só que eu não sabia qual. Fiquei com aquela imagem na cabeça o dia todo.
         À noite, depois do lanche, quando estava escovando os dentes, minha ficha caiu... Aquele homem não era companheiro dela. Aquele homem, sem cabeça (cabeça que eu não via) era um mentor! Ele a levou em casa, ele estava protegendo-a.  De repente, a ideia ficou clara, era isso. Só poderia ser isso!
         Eu me arrumei e fui para minha reunião, pois todas quartas feiras têm meu compromisso espiritual. Chegando à reunião, tudo correu normalmente, quase no final, pedi para contar o que havia me acontecido, pois durante o dia a imagem daquela moça, seu jeito, me passa que ela era viciada ou drogada, que talvez tivesse tido uma overdose.
         Contei com detalhes do ocorrido e o que eu tinha sentido; quase no final comecei a passar mal, a sensação que eu tinha era de um “João Bobo”; parecia que eu caia para frente com o rosto no chão e voltava. Era um mal estar muito grande. Aí.. não era mais eu... era outra... a moça!
         A mentora do meu grupo, como sempre a ajudou. Conversou com ela; a moça não sabia de nada, do que tinha acontecido com ela; esteve numa festa de embalo. Ela nem sabia naquele momento, onde estava. O excesso de drogas fez com que ela fizesse a passagem. Uma moça bonita, nova, deveria ter uns vinte e dois anos; as companhias e as drogas tinham vencido. Mais uma vida estava jogada fora...
         Assim como essa moça, quantos e quantos jovens se encontram nessa situação. Acho que não retornam. É uma pena... A falta de estrutura familiar, a falta de amor, de carinho com os filhos, pois os pais não têm tempo. Mas precisam dar esse amor; tem que dizer que os amam e que os filhos são muito importantes para eles.. Os filhos têm que saber! Pois sentindo amor, eles sentirão confiança, e com isso, qualquer dificuldade será resolvida mais facilmente.
         Todos os jovens deveriam ter conhecimento do quanto eles são importantes, e que eles assim - como todos nós, temos algo muito valioso dentro de nós. Basta ter conhecimento de que esse bem valioso existe, pois assim, com esse conhecimento poderão ativar, a qualquer hora, em qualquer momento; basta querer. Esse algo importante é a “Centelha Divina”, a força de poder que todo ser humano tem, mas que poucos conhecem: Centelha que nos impulsiona ao infinito. E quando há essa conexão, conseguimos nos conectar física e mentalmente, restabelecendo toda harmonia; isto quer dizer, nunca estamos sozinhos. Os jovens que têm amor, não chegam ao ponto que essa moça chegou...
         Voltando ao ocorrido. Agora eu sei, graças àquele mentor, que eu tive a visão. Ela realmente foi levada à minha casa, eu precisava ver; precisava pensar nela o dia todo... Esse era o caminho para, à noite, ela ter condições de ser levada à reunião, de pedir e aceitar ajuda.
A moça, depois de amparada, começou a chorar, pediu e aceitou ajuda... Todos do grupo ficaram tristes pelo ocorrido com a moça. Mas felizes por esse mentor que pôde trazer essa moça até a nossa reunião e pôde se conscientizar da nova vida que estava prestes a começar.
         Ao partir, a moça sabia que ia ser tratada em um hospital e que teria muito amor e apoio. Partiu agradecendo.
         Depois que ela partiu, eu ainda fiquei com certo mal estar. Mas logo conseguimos eliminar tudo. Ao terminar a reunião, todos nós fizemos uma oração em conjunto, em intenção dessa moça.
         Lembrarei sempre dela; nem o nome ela sabia... não lembrava, é uma pena.
         Em todo esse acontecimento, tem um fato que me faz pensar-  a primeira vez que vi um mentor espiritual, também vi o corpo todo com a túnica branca; ele estendeu a mão e eu senti sua mão gordinha; senti carinho e confiança. Me senti muito bem, embora não visse seu rosto. Não vi e não fez falta, para mim era normal. Agora com esse outro mentor, aconteceu a mesma coisa. É estranho, não é?
         Sei que o rosto dos dois existe, só que ainda não foi me permitido ver.. só isso... Espero poder sempre ajudar, de uma maneira ou de outra....
Beth

Só Deus Sabe

          Foi por volta de 1970, na época eu estava com 19 anos, quando me aconteceu esta experiência que se tornaria maravilhosa. Eu morava em casa geminada e, mudara uma família para a casa junto a minha. Era uma família sem ocupação definida. Eles davam muitas festas, vinham muitas pessoas e ficavam até altas horas da madrugada. Em muitas tardes também se reuniam; tocavam violão, tambor, cantavam junto com a vitrola, tocavam em alto volume. Era uma anarquia. Não tinham hora para tocar, não tinham respeito pelos vizinhos, e nem por eles mesmos, pois, muitas vezes, brigavam e se agrediam.
A vida dos moradores das imediações mudou, não tínhamos tranquilidade. A vida ficou terrível. Eu ainda saia de casa para trabalhar, porém, minha mãe, coitada, ficava o dia inteiro em casa. Chegou a tal ponto que, ela não aguentava mais ouvir o barulho, nem a música. Ficou tão descontrolada, que um dia quando cheguei em casa depois do trabalho, encontrei-a batendo com a cabeça na parede da cozinha e, dizia: - quero morrer, quero morrer. Não consigo mais viver deste jeito. Eu a segurei e com muito custo consegui acalmá-la. Fiquei desesperada. Como eu iria fazer? Precisava trabalhar e tinha receio que ela cometesse uma loucura.
O desespero aumentava porque muitas vezes ela dizia: - Qualquer dia desses vou à praia, vou mar adentro até me afogar, assim acaba tudo. Eu não tinha mais sossego, não sabia mais o que fazer.
Um dia chamei o meu vizinho até minha casa, expliquei-lhe o que estava acontecendo. Disse-lhe que tudo o que eles diziam em sua casa era ouvido nitidamente por nós. Pedi pelo amor de Deus que eles parassem ou diminuíssem a frequência com que tocavam, porque minha mãe poderia vir a cometer uma loucura. Ele prometeu que iria moderar, mostrou consideração, porém foi só nessa hora, depois não houve mais jeito. Eu e os moradores da rua fizemos um abaixo assinado, fomos à delegacia dar queixa; não teve jeito.
Muitas vezes eu saia de casa às 23h30, ligava para a policia; eles diziam que iriam até o local. Às vezes iam, mas só passavam, não faziam nada. Eu me considerava perdida.
À noite, na hora de dormir, tínhamos que colocar algodão no ouvido, para diminuir um pouco o som. Eu rezava, chorava, implorava a Deus para que eles parassem, porém dia após dia, era tudo igual.
Saía para trabalhar com o coração na mão. Ao retornar para casa, procurava minha mãe e só ao vê-la eu sossegava, era um tormento.
         Eu não tinha pai, ele falecera quando eu tinha 11 anos. Tinha dois irmãos casados, eles cuidavam de suas vidas e de seus compromissos; eu não podia contar com eles. Eu só tinha minha mãe, que era tudo para mim, se a perdesse não sei o que seria de mim. Foi nessa angústia total, após cinco anos, que Deus com pena de mim, mandou-me a Luz.
         Numa noite ao chegar em casa, depois do trabalho, percebi que a casa do vizinho estava naquela bagunça: o som da vitrola nas alturas, o pessoal cantava e batucava junto com o som, gritavam, batiam palmas; um caos completo.
         Fomos jantar e tentamos ver televisão. Mais tarde fomos dormir. Eu e minha mãe dormíamos juntas eu não tinha coragem de deixá-la dormir sozinha.  Ao menor movimento eu acordava e lhe atendia no que fosse preciso. Naquela noite eu estava desesperada. Rezei, pedi a Deus, pedi aos guias de luz, ao meu Anjo de Guarda, pedi a todos que eu sabia; eu não conseguia dormir.
Não sei quantas horas se passaram, eu estava deitada de barriga para cima. De repente, no meio de minhas súplicas, eu comecei a flutuar. Meu corpo flutuava na horizontal, eu já estava no meio da altura do quarto, quando olhei para baixo e vi na cama meu corpo deitado. Entendi e não fiquei com medo. Sabia que na cama estava o meu corpo de carne e o que flutuava era outro corpo. O corpo do meu espírito.
         Ao olhar para cima, vi um senhor que me transmitiu muita paz. Era um carinho como se fosse de pai. Eu me sentia tão amparada, tão protegida, como há muito eu não me sentia. Ele era forte, claro, usava uma túnica toda branca com manga comprida, larga no pulso. Eu o via, porém sua fisionomia tinha uma pequena névoa que não deixava perceber todos os traços do seu rosto. Mas eu me identificava totalmente com ele. Em um movimento ele me estendeu a mão. Eu me ergui na vertical e lhe atendi prontamente. Passei pela laje do quarto, passei pelo telhado. Estava no céu. Vi toda minha cidade de Santos.
         Vi toda a Ponta da Praia, toda orla, a areia, até a ilha Porchat, todo o cais (era estranho, ao olhar parecia-me uma lente, pois tudo que eu via estava perto de mim, porém eu estava muito longe).
         O senhor ao meu lado nada fez. Deixou que eu admirasse tudo, deu-me um tempo até passar minha a euforia. Ele não falava, mas eu sabia tudo o que ele queria me dizer. Vinha tudo a minha mente.
         Quando já me encontrava refeita, ele fez uma menção com a mão direita e mostrou-me a casa geminada ao lado da minha. Olhei para a casa - de repente vi como se não tivesse telhado, parecia aquela casa de boneca, em que se veem todos os cômodos, olhando por cima. Em um dos quartos estava o pessoal da casa; uns sentados na cama, outros no chão. Um tocava violão, outro tambor. As aparências deles eram muito esquisitas. Olhares parados, movimentos de robôs, pareciam que estavam drogados. Era uma imagem deprimente. Esta imagem me tocou profundamente o coração, fiquei muito triste.
         O Senhor então me disse: - Filha, eles não tem nada para oferecer. Eles são tão pobres de espírito! Aquilo me chocou profundamente. Naquele instante eu entendi que, eu sim é que deveria ajudar.
         O que aconteceu em seguida, eu não me lembro. Só me lembro de voltar para o meu quarto, flutuar na horizontal e ir voltando devagar para o meu corpo. Lembrei-me de tudo que me havia acontecido, jamais esqueci. Desse dia em diante, passei a rezar muito pelos meus vizinhos. Toda hora que me lembrava, rezava.
         Acho que eles jamais teriam condições de atender a qualquer pedido do tipo que eu lhes havia feito. Quando eles entravam naquele transe, não tinham nenhuma condição de saber o que faziam ou percepção de como ficavam. Nesses momentos estavam totalmente possuídos.
         Mas, a partir dessa experiência maravilhosa, eu e minha mãe, com orações e a ajuda que recebemos das forças espirituais, soubemos ir vivendo com mais controle e menos aflição, pois sabíamos que nunca estávamos sozinhas. Eles ainda moraram mais dois anos ao nosso lado.
No fim, as festas foram diminuindo e as reuniões também. Os amigos se afastaram; tudo mudou. Eles não tinham mais como se manterem e foram despejados.
         Um dia, quando cheguei do trabalho, soube que eles haviam se mudado. Quem sabe, eu tinha algum resgate a cumprir, durante esses sete anos!
SÓ DEUS SABE!
Beth

terça-feira, 6 de março de 2012

Lembrança de Infância


 
Uma lembrança de minha infância que sempre me acompanhou e sempre me intrigou, era a lembrança de um determinado lugar. Lá pelos meus cinco anos de idade era muito forte esse recordar. Ficava muito tempo querendo me lembrar de onde eu tinha visto aquele lugar. Pensava, pensava, mas nada de conseguir. Essa lembrança me acompanha até hoje. Só que naquela época, era bem mais intensa.
       Quando estava com sete anos, cheguei a perguntar ao meu pai, se ele tinha me levado a algum lugar daquele tipo ou passado comigo em algum lugarejo parecido. Ele disse-me que não. Que nunca estivemos em nenhum lugar como aquele. Eu não acreditava. Achava ter ido e que conhecia muito bem esse lugar. Outras vezes achava que tinha sonhado. Porém, logo descartava a ideia.
         O tempo passou, mas a lembrança ficou. Hoje, adulta, penso de outra forma. Quem sabe é a lembrança de uma vida passada. Analiso e acho que sim, pois na lembrança eu era criança e justamente na fase de criança, essa lembrança era mais constante.  Na adolescência também, mas não com a mesma intensidade.
         Nessa época eu tinha uma atração muito forte pelo mar. Na lembrança também, o ponto de base era o mar. Dos meus treze anos em diante o mar me fascinava. Eu me lembro que na parte da manhã eu estudava no colégio; chegava em casa almoçava, dava um tempo e depois saía, com  um caderno e um lápis para ver o mar.
Chegando lá, sentava em um banco do jardim de frente para o mar, ficava olhando a areia, o mar, o céu e o sol. Eu ficava maravilhada com o brilho da areia. O sol na areia fazia rebrilhar como se fossem pedrinhas de brilhantes. Era lindo!
         A união - da areia com o mar - era perfeita. O mar vinha beijar a areia. O vai e vem das ondas, com suas águas ora verdes ora azuis, e o estourar das ondas deixando um véu de espumas brancas a se desfazer.
        Eu me perdia diante de tanta beleza. Deixava-me levar, naquele vai e vem. As águas iam de encontro com o céu, e se fundiam naquele infinito. Juntando céu e mar. O verde azulado das águas com o azul do céu, davam expansão ao infinito. As nuvens brancas como a neve, pareciam bailar, com suas formas mutantes, representavam figuras de belas imagens.
    O sol, grande Rei, com sua luz maravilhosa, vinha aquecer e dar brilho a toda natureza. E nessa junção, eu ali sentada no banco do jardim da praia, ficava horas e horas sem perceber.
     Sabia que havia várias pessoas – babás com crianças, pessoas de idade, crianças e jovens. Porém eu não percebia ninguém, nem sequer os via passar na minha frente.
       Havia dias em que eu escrevia alguma coisa no caderno. Sempre sobre sentimentos, algo que gostei ou não gostei, algo que me magoou ou me deixou muito feliz. Expressava meus sentimentos sobre crianças e o amor de modo geral. Mas não era sempre que isso acontecia. O meu entrosamento era com o mar, e toda a natureza em sua volta.
     Mas depois de um tempo, necessitava voltar correndo para casa, pois minha mãe brigava comigo. Já estava achando que eu tinha um namorado escondido. Mal sabia ela, que eu realmente estava namorando, porém com o mar.
     Sem eu perceber, esta minha fascinação pelo mar, ia ao encontro de minha lembrança. Só que naquela época eu não a associava. Depois mais adulta, aí sim, houve a ligação.
         Hoje, ao fechar os olhos, posso rever o lugar muito nitidamente, posso ver os detalhes e a cor. Essa minha lembrança parece uma tela pintada a óleo, muito significativa para mim.
         Lembro-me assim:
        Vejo-me em um lugar de mar, que não é plano. É um lugarejo que tem ancoradouro e seu chão é um morro. O mar vem em seu encontro e a água fica abaixo de sua base há uns quatro metros. Foi levantada uma parede de pedra em toda a extensão do morro. Na parte de cima, do lado que dá para o mar, também tem pedras. O resto é todo revestido de toras de madeira, formando uma grande rua para quem ancora e desce ali.
        Tem barcos grandes e pequenos. Normalmente saem de manhã antes do nascer do sol e só voltam perto do anoitecer. Mais adiante, em frente ao porto, tem um morro. A cidade não fica à beira mar. Ela é escondida.  Do porto não dá para ver a cidade (digo cidade, mas na verdade parece uma vila, só que tem muitas casas e ruas).
        Do ponto do porto onde estou, indo para o lado esquerdo, um pouco afastado, há uma casa de frente para o mar. Nesse porto, eu me vejo sentada de frente para o mar. Olho o mar, o céu, o sol e fico horas e horas contemplando essa beleza.
        Nessa lembrança, vejo-me criança de uns seis a oito anos. Uso um calção de cor marrom, com uma tira que vem de trás e abotoa na frente do lado contrário. O calção vai até abaixo do joelho. Uso uma camisa branca de manga curta, estou descalça. Tenho cabelos loiros, curtos, encaracolados. Bochechas vermelhas e olhos claros. Só não sei dizer se sou menino ou menina. Não consigo definir.
        Porém, sei que sou uma criança triste. Fico nesse porto, sentada, com as pernas para o mar, olhando o infinito, recebendo o carinho do sol através do seu calor. Mas tenho uma melancolia muito grande no coração. Parece que espero algo. Sinto falta de alguma coisa, ou de alguém. Não sei explicar. Toca muito fundo o meu coração. Esta é a minha lembrança.
        Comparando esta lembrança e os valores de minha adolescência, percebo a união espontânea. Revivi a mesma beleza, porém, sem melancolia, e até hoje ainda me fascina muito, a areia, o mar, o céu e o sol.
Beth

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A Luz Sempre Chega

          Começava mais uma reunião do meu grupo. O ambiente estava tranquilo e iniciamos os trabalhos. Não havia nenhum pedido especial. Tudo transcorria normalmente.
         Passado um tempo, comecei a sentir uma comichão, parecia que tinha bichinhos andando pelo meu rosto, braços e pernas.
         Depois de um tempo, comecei a sentir no meu rosto, alguns fiapos compridos. Esse tipo de sensação eu já vinha sentindo em algumas reuniões passadas. Eu tentava não me ligar nessa sensação, mas não conseguia.
         Não me controlei e comecei a passar as mãos no rosto, tinha a nítida impressão de serem teias de aranhas. Essa sensação já durava um bom tempo e de repente eu me vi em um corredor muito escuro. Era um corredor largo, suas paredes e teto eram de pedras. Comecei a andar, só então senti as teias de aranhas passando pelo meu rosto e braços. A sensação era horrível.
         O lugar era totalmente abandonado. Eu ia passando as mãos na minha frente para tirar as teias, e ia andando. Nesse corredor havia muitas portas, tanto do lado direito como do esquerdo, uma bem longe da outra.
         Comecei a sentir frio, só então percebi a umidade do lugar. Era muito úmido. Não havia nenhuma janela, nenhum buraco pelo qual pudesse entrar um pouco de ar, era tudo pedra.
         Eu andava, não sabia para onde, aquilo era imenso. Aquele corredor parecia não ter fim. Andei até que diante de uma porta, parei...
         Só nesse momento percebi que havia uma janelinha, era fechada pelo lado do corredor, quem estivesse dentro, jamais poderia abri-la. Fiquei um pouco apreensiva, e resolvi abrir a janelinha, para olhar o cômodo. Abri e fiquei estarrecida. Vi uma moça presa, amarrada em uma pilastra, abri a porta do cômodo e entrei.
         O lugar era arrepiante, senti uma sensação horrível, eu não sabia se a moça estava viva ou morta. A expressão do rosto era triste, de muita dor. Dor, não só, a dor corporal, mas a dor da alma. E o mais triste: um ódio mortal!
         Eu, ali, olhando para ela, sem entender o porquê de eu estar ali, sem poder fazer nada, e sentindo todas aquelas emoções que eram dela.
         Ela não tinha nenhuma consciência, nem material e nem espiritual, não sabia seu real estado. Também não percebia minha presença.
         De repente, como em uma tela de televisão, comecei a ver o desenrolar de um drama. Era uma época remota, acho que por volta do ano de 1700. O ocorrido não foi no Brasil e sim na Europa. Vi um palacete bonito, não era suntuoso, mas bonito. Vi-me dentro de suas muralhas.
         Em frente de sua porta principal, estava parada uma carruagem. Ao lado da carruagem, um senhor e uma senhora muito bem vestidos, estavam se despedindo de uma moça, era a mesma que estava amarrada. Ela era muito bonita. Um vestido lindo; era uma menina-moça.
         Eles se abraçaram e choravam. Aqueles senhores eram seus pais e havia muito amor entre eles. A filha deixava o lar para desposar Jesus. Iria para um convento, com dezessete anos. Sabia que jamais iria encontrar seus pais outra vez. A carruagem recebia um enorme baú, com seus pertences e um rico dote. Dote este que iria para a Congregação.
         Ela entrou chorando muito, mas não ia forçada, ela tinha decidido e feito sua escolha. Deu mais um adeus aos pais e partiu.
          Ao anoitecer, a moça chegou a um castelo, onde iria passar a noite, e na manhã seguinte, iria continuar a viagem até ao convento. Ao chegar, foi recebida por um mordomo, que a conduziu a uma sala enorme.
         Aguardou alguns minutos e chegou um senhor mais velho, um Barão, junto com sua esposa.  Ambos pertenciam à congregação do convento. O Barão ao vê-la foi tomado por um forte desejo. Ela era muito bonita parecia um anjo.  E, ela na sua simplicidade, cumprimentou-os, beijando-lhes as mãos.
Eles a acolheram muito bem, conversaram e disseram-lhe que ao raiar do dia, o Barão a acompanharia até o convento. A Baronesa se despediu, desejando-lhe uma boa viagem, pois por ser muito cedo, não a veria no dia seguinte. A moça agradeceu.
         Nisso o mordomo a aguardava e se dirigiram para o aposento onde iria passar a noite.
         Ela entrou e olhou bem aquele lugar melancólico, sentou-se na cama e começou a chorar. O seu coração estava muito apertado. Não sabia o porquê, mas estava muito triste, angustiada, queria que a noite passasse logo e, assim acabou adormecendo.
         De madrugada, sentiu que não estava sozinha no quarto. Levou um grande susto, quando se deparou com o Barão. Ele pediu que ela se acalmasse, que só tinha vindo para ver se ela estava bem.
         Ela se controlou e ele começou a conversar sobre a decisão dela, e depois tocou em outros assuntos. Por fim, se insinuou, dizendo que ela era muito bonita e passou a mão em seu rosto.
         A essa altura, a moça estava apavorada. Ele não se controlando, agarrou-a e beijou-a.
         A moça desesperada pedia pelo amor de Deus que a largasse. Ele totalmente descontrolado, a beijava e agia como animal, querendo possui-la.
         Em desespero a moça começou a gritar. Ele de imediato a espancou, e ela perdeu os sentidos. O que aconteceu depois, eu não sei, não vi mais nada.
         Quando a visão retornou, já era no quarto, onde a moça estava amarrada.
         Ali onde ela se encontrava, não era um quarto qualquer, era um calabouço, embaixo do Castelo. Aquele corredor era um túnel e aquelas portas davam para vários calabouços.
         Naquele lugar devem ter estado vários prisioneiros; devem ter sido torturados, pois tudo ali era apavorante.
         A moça estava desmaiada e amarrada, quando recuperou os sentidos é que percebeu o que havia acontecido.
          Coitada! Seu mundo desabara; ela ali amarrada em total desespero, pensava nos pais, que horas antes abraçara. Lembrava-se de toda a sua vida, da sua infância. Por que tudo isso aconteceu? O que ela tinha feito? E no meio desses pensamentos, o Barão chegou.
         Ela começou a chorar. Ele queria que ela o aceitasse, que fosse sua amante. Ela recusava aos prantos e, ali mesmo amarrada como estava, ele a possuiu...
         Era animalesco ver aquilo! A coitada quase morreu!
         Satisfeita a sua vontade, o Barão foi embora, pois sabia que jamais a teria, sabia que ela preferia morrer a aceitar essa situação. Ele voltou mais uma vez, e a encontrou semimorta, pois ficara dias sem comer e beber. Ele saiu e nunca mais voltou.
         Ela ali, totalmente abandonada, só nutria ódio. Um grande ódio por aquele homem. E assim ela morreu...
         Meu Deus! Como um ser humano podia fazer tal coisa?
           E, eu vi tudo isso, mas quantas e quantas vezes, neste mundo, tudo isso pode ter acontecido? Quantas meninas e moças sofrem agressões assim? Quantas e quantas são violentadas, quanto ódio pode existir? Não dá para responder!...
         Tudo isso que eu narrei, me foi mostrado de uma forma muito rápida, como um filme acelerado. E assim, a tela foi apagada...
         Levei um tempo para sintonizar-me, e num estado de apreensão emocional, fui contando a todos do grupo.
         A mentora do meu Grupo pediu que todos se concentrassem, mas que não tentassem ir até o local, pois as vibrações eram muito pesadas.
         E num instante eu, estava ali, continuava em pé ao lado daquele corpo sem vida. Pensava em tudo que tinha visto, e em tudo que ela tinha sofrido...
         De repente, comecei a sentir um ódio, um ódio tão grande, uma raiva descomunal por aquele homem.
         Não havia outra lembrança, somente ódio. E, nesse estado, os mentores espirituais e o nosso grupo conseguiram trazer aquele espírito do lugar que estava.
         Aos poucos fui voltando, e aos poucos fui me equilibrando, até que passou toda aquela sensação; voltei ao grupo.
         O espírito dessa moça estava preso naquela vibração de ódio; não conseguia ver a ajuda que muitas vezes lhe chegara. A barreira que o ódio construiu, a deixava totalmente cega.
         Quantos séculos esse espírito sofreu? Quanto ódio ele nutriu, a ponto de não perceber a ajuda tão valiosa que chegava sempre ao seu lado; não conseguia ver e nem sentir, o ódio anulava tudo.
         Mas, graças a Deus, ela recebeu ajuda, foi levada, será tratada e conseguirá perdoar, e receber a paz tão necessária...
         Meu Deus! Quantos séculos esse espírito sofreu e reviveu tudo isso que narrei?! Quanto sofrimento! Tudo por causa do ódio; e com ele a escuridão e a dor.
         Ela nem sabia quanto tempo ficou nesse estado.
         Mas Deus é Pai! Deus nunca abandona nenhum de seus filhos, ele sempre vem em nosso auxílio, de uma forma ou de outra. E a vez dela chegou; demorou, mas chegou.
         A Luz sempre chega.....
Beth

sábado, 21 de janeiro de 2012

Luz Azul

          Em uma de minhas reuniões espirituais  tive uma experiência maravilhosa. Meu grupo estava reunido, se concentrando, quando me vi em um lugar todo escuro, não tinha nenhuma luz, era um breu.
         Fiquei um pouco temerosa e disse ao grupo: - “Estou em um lugar muito escuro, e não quero seguir sozinha”. A coordenadora de meu grupo, disse que eu poderia ir que ela iria comigo. De repente, apareceu uma luz azul que ia até determinado lugar e voltava, parecia me chamar “vem cá”.
         Essa luz parecia me indicar uma entrada ou algo parecido e depois sumiu. Eu fui. Meus olhos foram se acostumando com a escuridão, e pude perceber que era realmente uma entrada. Era um buraco em uma rocha que dava para uma caverna.
         Segui adiante me abaixando para entrar. Fui devagar, pois estava com medo. Eu nunca estive em um lugar tão escuro.
         Ao entrar encontrei pedras, como se fossem degraus para descer. Desci umas três pedras, depois tudo ficou plano. Eu ia acostumando-me, cada vez mais, com a escuridão.
         Andei em linha reta durante algum tempo. Depois percebi uma pequena claridade do lado esquerdo, me virei e segui para a luz.
         Comecei a perceber melhor o lugar, era realmente uma caverna. Senti frio; o ar era úmido. Andei e vi no alto, muito alto alguns pequeninos buracos por onde filtravam raios de sol, dando uma pequena claridade na caverna.
         Notei então um pequeno córrego, com uma água cristalina. Essa água saia de dentro de algumas pedras. A largura desse córrego não era mais do que uns vinte centímetros. Suas margens tinham um visgo verde e um matinho fininho com uma florzinha vermelha minúscula.
         O frio continuava. A essa altura, várias pessoas do meu grupo já estavam concentradas no mesmo plano que eu.
         Continuei a andar, seguindo o córrego que era comprido. Cheguei a um lugar, onde a caverna se estreitava e se tornava como um túnel.
         Segui pelo túnel, até que cheguei ao seu final. Para meu espanto, o túnel terminava em outra caverna enorme, porém mais clara. Parecia uma abóbada.
         Do túnel para a caverna, a queda d’água era de uns cinco metros de altura. A água caia formando uma bacia e descansava num lago tranquilo.
         A água era impressionante. Cristalina - parecia ter vida!
         E agora? Como eu iria descer?!
         Não tinha como. Era muito alto, não sabia como fazer.
         Toda essa trajetória, eu ia descrevendo ao grupo. Umas acrescentavam detalhes observados por elas, pois estávamos na mesma sintonia.
         Eu tinha que descer!
         Então uma amiga do grupo disse:
         -“ Beth, pule que eu já pulei, você vai ter uma surpresa”.
         Pulei e o que aconteceu me deixou radiante.
         Ao pular eu simplesmente flutuei. Flutuei e desci ao lado das águas. Foi uma sensação que estremeceu o meu corpo inteiro. Parecia que eu estava levando leves choques pelo corpo.
         Era lindo ver dali onde eu estava aquela queda d´água. Ela caia levemente em linha reta, batendo em algumas pedras e se juntava ao lago.
         Nós já estávamos todos embaixo e comentávamos sobre a visão. De repente, as águas começaram a se movimentar, como se tivessem ondas. Elas se moviam da margem para o centro do lago, sendo que o lago só tinha meio circulo, pois o restante era encostado nas rochas. As águas se movimentavam sempre de fora para dentro.
        Passado um tempo, no centro, elas começaram a borbulhar. Esse borbulhar foi crescendo e algumas ficaram altas, a uma altura de mais ou menos, um metro a um metro e vinte centímetros. Eram vários tamanhos. Todas localizadas no centro.
         Pareciam águas cantantes que se veem em algumas fontes. Seus movimentos pareciam os de um musical, e as águas refletiam luz, muita luz. Passavam uma energia tremenda, ficamos extasiadas.
         As águas se mostraram vivas para nós. Não sentimos medo algum.
         Depois elas foram parando, e tudo voltou ao normal - um lago sereno. Ninguém tocou a água.
         Quando ficamos refeitas das emoções, demos um impulso, levitamos e subimos ao túnel para voltar. Retornamos, e, já conscientes comentamos o acontecido. Foi uma experiência muito marcante, para mim e para o meu grupo.
         Em minhas meditações sempre que posso vou até a caverna. Ela é como um templo para mim. Nela posso me energizar, pedir ajuda, agradecer e conversar.
         E isso tudo me foi confirmado, outra vez, de maneira muito forte. Há tempos atrás, eu passei uma fase muito difícil. Meu lado emocional ficou muito abalado, e acabou prejudicando o lado físico também.
         Deveria ter reagido, mas não consegui. Fiquei um trapo. Na época foi algo de terrível para mim. A única coisa que não abalou foi a minha fé. Graças a Deus também não me faltaram amigas para dar-me forças.
         Então, eu no auge desse abalo, recorri à caverna. Fiz novamente todo aquele trajeto, e cheguei ao lago. Sentei no chão fora da água e conversei. Chorei, expus tudo o que me aconteceu e como me sentia.
         Então aconteceu o entrosamento das águas comigo. Elas me passaram um profundo bem estar, e senti que o acontecido era apenas mais uma página a ser virada.
         As águas cantaram outra vez...
         Eu me deitei nas águas de barriga para cima e sentia todo o meu corpo vibrar.  Eu estava muito debilitada, muito magoada. E aquele vibrar parecia ir até o fundo de minha alma. Fiquei naquelas águas não sei por quanto tempo.
         Depois de bem relaxada, as águas se juntaram ao centro, deixando o meu corpo deitado na areia. Era uma areia meio grossa. Deitada, do jeito que estava, com os braços separados, senti a areia esquentar.
         A areia ficou quente, bem quente, porém suportável. Senti uma onda de calor percorrer toda a minha coluna. Toda a parte óssea do meu corpo recebeu como uma irradiação. Fiquei deitada por bom tempo e não queria mais sair dali. Relaxei de tal maneira, que depois de um tempo me senti outra.
         Sai da sintonia e voltei. Desse dia em diante, consegui melhorar e me recuperei totalmente.
         Tenho esse lugar gravado no meu coração e na minha mente. Agradeço a essa LUZ AZUL, que no meio da escuridão me revelou um paraíso. Não sei porque eu mereci tanto.

Beth


Dona Vera

           Era uma manhã de sexta-feira, cheguei cedo ao trabalho, estava secando meu cabelo, quando ouvi passos e pessoas falando. Achei que algumas clientes estavam chegando. Esperei olhando para a porta de entrada, mas não apareceu ninguém.
         Continuei a secar meu cabelo. Minutos depois, ouvi uma voz falando para mim:
         -  “Beth! Socorro...  ajude-me...”
         Parei meio assustada... Eu ouvi nitidamente; arrepiei-me inteira, dei um tempo e comecei a secar novamente o meu cabelo. Estava quase acabando, quando ouvi de novo:
         - “ Beth! Socorro... ajude-me...”
         Parei... Eu conhecia aquela voz! Era voz de mulher e não era estranha, eu conhecia! Mas quem? Meu Deus eu precisava me lembrar de quem era! Pensava, e nada...
         Dali a pouco, chegaram duas amigas, contei-lhes o que havia acontecido e pedi que nos sentássemos e rezássemos por aquela mulher que pedia por socorro.
         Sentamos e rezamos. Pedi à corrente socorrista que a ajudasse.
         O resto do dia transcorreu normal e o ambiente não teve alteração. Não me lembrei de quem era a voz, só sabia que a conhecia.
         No domingo pela manhã, eu ainda estava na cama dormindo, quando ouvi, claro e nítido:
         -“Beth! Socorro... Ajude-me!”.
         Dei um pulo da cama, quase voei, corri para o banheiro.
         Dessa vez, quem gritou por mim foi meu marido; na hora lembrei de quem era a voz! Só podia ser!...
         Cheguei ao banheiro, meu marido estava sentado, cheguei na hora que ele ia começar a cair, estava desmaiando. Segurei firme. Ele desmaiou, ficou todo gelado, o corpo ficou tão pesado que eu gritei pelo meu filho.
         - “Felipe, corre filho... Corre!”.
         O coitado veio voando, não fazia ideia do que estava acontecendo. Quando viu o pai daquele jeito, ficou mais nervoso ainda.  Eu disse a ele:
         - “Felipe liga para seu tio, peça para ele vir rápido, não vou aguentar segurar seu pai por muito tempo”.
         Ele ligou e meu cunhado não estava, quem veio foi meu sobrinho.
         Meu Deus, aquela voz, aquela bendita voz, só queria me alertar... Como sempre, ela queria proteger seu querido filho... A voz era da minha sogra, clara muito clara.
         Se ela não me tivesse alertado aquelas duas vezes, se eu não tivesse aquela mensagem gravada, tão forte dentro de mim, se eu não tivesse corrido rápido na hora que o Luís gritou; hoje talvez ele não estivesse mais aqui, vivo junto de nós.
         Na hora que cheguei ao banheiro, ele começava a cair para o lado esquerdo e, justamente a uns 70 cm, tinha um bidê. Se ele caísse, iria bater com a cabeça no bidê e essa queda poderia ter sido fatal.
         Meu sobrinho chegou, ajudou-me a segurá-lo e tentar levantá-lo, pois ainda se encontrava desmaiado. Felipe ajudava também. Ao tentar levantá-lo, graças a Deus ele voltou a si.
         Levamos para a sala, sentou-se na poltrona, continuava gelado e zonzo.
         Foi o tempo de vestir uma calça  e camiseta, peguei a chave do carro e fomos para o pronto socorro.
         Chegando lá, ele foi atendido rápido em emergência. Ele é cardíaco e a pressão subiu, ficou tudo descontrolado e o coração acelerou demais.
         Graças a Deus, o atendimento foi rápido e eficaz. Ele teve que ficar em observação por uma hora. Após, voltamos para casa. Ele passou o resto do dia bem e não teve mais nada.
         A última vez que falei com minha sogra, antes de falecer, foi no hospital e ela me pediu:
         - “Beth, cuida sempre do meu filho, cuida dele para mim”.
         Eu lhe disse que ficasse tranquila, pois eu sempre cuidaria dele.
         Mas, parece que não é bem assim, pois mesmo eu cuidando, ela também está. De onde ela se encontra, está cuidando dele, de um jeito ou de outro.
         Graças a Deus por ela poder! De ser permitida essa comunicação e de eu ter sintonizado e reagido tão rápido.
         Dona Vera obrigada! Fique sempre atenta e me ajude a poder ajudar sempre que permitido.
         Obrigada!

Beth


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Vinho do Porto!


Hoje vou relatar uma passagem que aconteceu recentemente, e através desse acontecimento  conseguir ver, entender e compreender com muita lucidez coisas que até então eu pensava que entendia...
Era dezembro, um domingo, após o café da manhã, preparava um pudim. Estava muito cansada, pois no mês de dezembro trabalho quase o dobro, e me sentia esgotada, física e mentalmente, mas os afazeres continuavam e então, pus mãos à obra.
Meu filho dormia, meu marido tinha ido cuidar dos cachorros. Estava quase acabando a receita e precisava de vinho do porto, para terminar o pudim. Procurei e não achei. Para ficar irritada não demorou muito, olhei e procurei pela cozinha, e nada de achar, liguei para o meu marido já estourando... perguntando:

-  “Luís cadê o vinho do porto? Eu não acho.”

Ele disse: -  “se não está aí, deve estar na cozinha do Felipe, acho que ele levou para lá.”

Eu disse: “- como ele levou? E se levou porque não trouxe de volta. Agora quero terminar o pudim e não posso, tenho que ficar aqui esperando.”

Aí ele disse: “- espere um pouco que eu logo levo o vinho. Tchau!” e desligou. Desligou e eu fiquei explodindo. Estava cansada, irritada, as pernas doíam, a cozinha bagunçada....Tudo por fazer.
Fui tomada por um desespero e comecei a chorar, chorava e tremia de nervoso, fui para cama e dei vazão ao meu choro. Chorei muito. Estava muito irritada, me sentindo sozinha, supercarregada de afazeres, tudo em cima de mim.
Chorei...Chorei... Chorei... Estava com muita pena de mim mesma. E, após chorar um bom tempo fui relaxando.
Mentalizei, então, dois lugares onde eu vou quando estou angustiada, quando preciso de ajuda. Um dos lugares espirituais para os quais me projeto é a Gruta das Águas Cantantes e o outro é o Vale dos Eucaliptos. Mentalizei e não consegui me projetar.
De repente me vi no espaço, fora da Terra. Desde o ano de 2000 eu me via fora da Terra, no espaço olhando a Terra, sempre com ela (Terra) à minha esquerda. Foram várias projeções e eu me acostumei. Naquele dia também, foi assim, de repente eu estava lá, sem pensar e sem sentir, estava no espaço olhando a Terra.
Eu precisava de um aconchego e ali o que eu teria? Pensei que nada...
De repente, comecei a ver como uma tela de televisão via as pessoas no seu dia-a-dia. Pessoas falando, gesticulando, nervosas, brigando e preocupadas....
Nesse estado de ânimo, com as pessoas exaltadas e nervosas, começou a surgir de suas cabeças - um fio. Esse fio saia da cabeça em direção ao céu, a uma determinada altura formava um balão, como um balão de gás.
Esse balão, subia, subia, sempre ligado a esse cordão preso à cabeça das pessoas.
Lá do espaço comecei a ver milhões desses balões, que viraram bilhões e foram encobrindo a Terra, até que eu não vi mais o globo terrestre e sim um globo de balões.
Imaginem um travesseiro ou um colchão de espuma no formato de casca de ovo. Pois bem, o globo terrestre que eu via era assim. Formava uma grossa camada desses balões.
Lá no espaço vendo aquilo fiquei muito triste, muito triste mesmo. Senti meu coração apertado.  Eu sabia o que tinha dentro daqueles balões... Sabia os sentimentos que eles nutriam.
Os seres humanos de hoje com o ritmo de vida que levam, perdem cada vez mais a sintonia, se desequilibrando por muito pouco. Temos muito facilidade  em aumentar e reproduzir o que é negativo.
Com essa vida atropelada que levamos, não temos tempo para nós.  Não nos ensinaram a meditar, a entrar dentro de nós mesmos, a ficar alguns minutos ouvindo o bater do nosso próprio coração.
Se tivéssemos esses minutinhos e colocássemos isso em prática, com certeza não formaríamos esses balões.
Eu lá no espaço, triste, vendo aquilo senti dentro de mim o peso daquela sensação  de irritabilidade, sabia com certeza que eu também tinha mandado meu balão para o espaço.
A imagem que eu via do globo era muito feia! A Terra não tinha mais aquele azul e sim um acinzentado. Aqueles balões refletiam nuances acinzentadas escuras.
Mergulhada nessa visão, numa grande tristeza, de repente, no meio desses balões começaram a surgir, fachos de luz, que se refletiam para o universo. Começou um aqui e outro ali, até que se expandiram pelo globo.
Eu senti meu peito vibrar! Olhando para as luzes, pude ver através dos fachos de onde vinham. Vi várias pessoas, separadas e reunidas em grupos, essas pessoas oravam. Estavam em sintonia com o amor fraternal. Senti que se importavam com as pessoas e que delas fluía uma energia que envolvia as pessoas ao seu redor. E era dessas pessoas que partiam esses fachos de luz, que eu via lá do espaço.
Fiquei feliz e aliviada, pois tinha certeza que ao redor da terra havia muitas pessoas iguais àquelas que eu tinha visto...
Eu estava ali parada olhando o globo quando a minha visão foi se modificando. As cascas de ovos foram se separando, um pouco, e da junção delas partiam pequenos fachos de luz resplandecentes, que fluíam em luz multicor.
Com essa visão fui me acalmando e fiquei serena... Respirei fundo, analisei bem e percebi o estrago que um vinho do porto fez comigo.
Daqui para frente, vou me policiar mais, com certeza não vou soltar balão tão fácil. Fiquei mais um pouco na cama, bem aconchegada, quietinha. Logo o Luís chegou, trouxe o vinho e fui terminar o pudim que ficou uma delícia ...

Beth