Hoje vou relatar uma passagem
que aconteceu recentemente, e através desse acontecimento conseguir ver, entender e compreender com
muita lucidez coisas que até então eu pensava que entendia...
Era dezembro, um domingo, após
o café da manhã, preparava um pudim. Estava muito cansada, pois no mês de
dezembro trabalho quase o dobro, e me sentia esgotada, física e mentalmente,
mas os afazeres continuavam e então, pus mãos à obra.
Meu filho dormia, meu marido
tinha ido cuidar dos cachorros. Estava quase acabando a receita e precisava de
vinho do porto, para terminar o pudim. Procurei e não achei. Para ficar
irritada não demorou muito, olhei e procurei pela cozinha, e nada de achar,
liguei para o meu marido já estourando... perguntando:
- “Luís cadê o vinho do porto? Eu não acho.”
Ele disse: - “se não está aí, deve estar na cozinha do Felipe,
acho que ele levou para lá.”
Eu disse: “- como ele levou? E
se levou porque não trouxe de volta. Agora quero terminar o pudim e não posso, tenho
que ficar aqui esperando.”
Aí ele disse: “- espere um
pouco que eu logo levo o vinho. Tchau!” e desligou. Desligou e eu fiquei
explodindo. Estava cansada, irritada, as pernas doíam, a cozinha
bagunçada....Tudo por fazer.
Fui tomada por um desespero e comecei
a chorar, chorava e tremia de nervoso, fui para cama e dei vazão ao meu choro.
Chorei muito. Estava muito irritada, me sentindo sozinha, supercarregada de
afazeres, tudo em cima de mim.
Chorei...Chorei... Chorei... Estava com muita pena de mim mesma. E, após chorar um bom tempo fui relaxando.
Mentalizei, então, dois lugares
onde eu vou quando estou angustiada, quando preciso de ajuda. Um dos lugares
espirituais para os quais me projeto é a Gruta das Águas Cantantes e o outro é
o Vale dos Eucaliptos. Mentalizei e não consegui me projetar.Chorei...Chorei... Chorei... Estava com muita pena de mim mesma. E, após chorar um bom tempo fui relaxando.
De repente me vi no espaço, fora da Terra. Desde o ano de 2000 eu me via fora da Terra, no espaço olhando a Terra, sempre com ela (Terra) à minha esquerda. Foram várias projeções e eu me acostumei. Naquele dia também, foi assim, de repente eu estava lá, sem pensar e sem sentir, estava no espaço olhando a Terra.
Eu precisava de um aconchego e ali o que eu teria? Pensei que nada...
De repente, comecei a ver como uma tela de televisão via as pessoas no seu dia-a-dia. Pessoas falando, gesticulando, nervosas, brigando e preocupadas....
Nesse estado de ânimo, com as pessoas exaltadas e nervosas, começou a surgir de suas cabeças - um fio. Esse fio saia da cabeça em direção ao céu, a uma determinada altura formava um balão, como um balão de gás.
Esse balão, subia, subia, sempre ligado a esse cordão preso à cabeça das pessoas.
Lá do espaço comecei a ver milhões desses balões, que viraram bilhões e foram encobrindo a Terra, até que eu não vi mais o globo terrestre e sim um globo de balões.
Imaginem um travesseiro ou um colchão de espuma no formato de casca de ovo. Pois bem, o globo terrestre que eu via era assim. Formava uma grossa camada desses balões.
Lá no espaço vendo aquilo fiquei muito triste, muito triste mesmo. Senti meu coração apertado. Eu sabia o que tinha dentro daqueles balões... Sabia os sentimentos que eles nutriam.
Os seres humanos de hoje com o ritmo de vida que levam, perdem cada vez mais a sintonia, se desequilibrando por muito pouco. Temos muito facilidade em aumentar e reproduzir o que é negativo.
Com essa vida atropelada que levamos, não temos tempo para nós. Não nos ensinaram a meditar, a entrar dentro de nós mesmos, a ficar alguns minutos ouvindo o bater do nosso próprio coração.
Se tivéssemos esses minutinhos e colocássemos isso em prática, com certeza não formaríamos esses balões.
Eu lá no espaço, triste, vendo aquilo senti dentro de mim o peso daquela sensação de irritabilidade, sabia com certeza que eu também tinha mandado meu balão para o espaço.
A imagem que eu via do globo era muito feia! A Terra não tinha mais aquele azul e sim um acinzentado. Aqueles balões refletiam nuances acinzentadas escuras.
Mergulhada nessa visão, numa grande tristeza, de repente, no meio desses balões começaram a surgir, fachos de luz, que se refletiam para o universo. Começou um aqui e outro ali, até que se expandiram pelo globo.
Eu senti meu peito vibrar! Olhando para as luzes, pude ver através dos fachos de onde vinham. Vi várias pessoas, separadas e reunidas em grupos, essas pessoas oravam. Estavam em sintonia com o amor fraternal. Senti que se importavam com as pessoas e que delas fluía uma energia que envolvia as pessoas ao seu redor. E era dessas pessoas que partiam esses fachos de luz, que eu via lá do espaço.
Fiquei feliz e aliviada, pois tinha certeza que ao redor da terra havia muitas pessoas iguais àquelas que eu tinha visto...
Eu estava ali parada olhando o globo quando a minha visão foi se modificando. As cascas de ovos foram se separando, um pouco, e da junção delas partiam pequenos fachos de luz resplandecentes, que fluíam em luz multicor.
Com essa visão fui me acalmando e fiquei serena... Respirei fundo, analisei bem e percebi o estrago que um vinho do porto fez comigo.
Daqui para frente, vou me policiar mais, com certeza não vou soltar balão tão fácil. Fiquei mais um pouco na cama, bem aconchegada, quietinha. Logo o Luís chegou, trouxe o vinho e fui terminar o pudim que ficou uma delícia ...
Beth
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