sábado, 21 de janeiro de 2012

Luz Azul

          Em uma de minhas reuniões espirituais  tive uma experiência maravilhosa. Meu grupo estava reunido, se concentrando, quando me vi em um lugar todo escuro, não tinha nenhuma luz, era um breu.
         Fiquei um pouco temerosa e disse ao grupo: - “Estou em um lugar muito escuro, e não quero seguir sozinha”. A coordenadora de meu grupo, disse que eu poderia ir que ela iria comigo. De repente, apareceu uma luz azul que ia até determinado lugar e voltava, parecia me chamar “vem cá”.
         Essa luz parecia me indicar uma entrada ou algo parecido e depois sumiu. Eu fui. Meus olhos foram se acostumando com a escuridão, e pude perceber que era realmente uma entrada. Era um buraco em uma rocha que dava para uma caverna.
         Segui adiante me abaixando para entrar. Fui devagar, pois estava com medo. Eu nunca estive em um lugar tão escuro.
         Ao entrar encontrei pedras, como se fossem degraus para descer. Desci umas três pedras, depois tudo ficou plano. Eu ia acostumando-me, cada vez mais, com a escuridão.
         Andei em linha reta durante algum tempo. Depois percebi uma pequena claridade do lado esquerdo, me virei e segui para a luz.
         Comecei a perceber melhor o lugar, era realmente uma caverna. Senti frio; o ar era úmido. Andei e vi no alto, muito alto alguns pequeninos buracos por onde filtravam raios de sol, dando uma pequena claridade na caverna.
         Notei então um pequeno córrego, com uma água cristalina. Essa água saia de dentro de algumas pedras. A largura desse córrego não era mais do que uns vinte centímetros. Suas margens tinham um visgo verde e um matinho fininho com uma florzinha vermelha minúscula.
         O frio continuava. A essa altura, várias pessoas do meu grupo já estavam concentradas no mesmo plano que eu.
         Continuei a andar, seguindo o córrego que era comprido. Cheguei a um lugar, onde a caverna se estreitava e se tornava como um túnel.
         Segui pelo túnel, até que cheguei ao seu final. Para meu espanto, o túnel terminava em outra caverna enorme, porém mais clara. Parecia uma abóbada.
         Do túnel para a caverna, a queda d’água era de uns cinco metros de altura. A água caia formando uma bacia e descansava num lago tranquilo.
         A água era impressionante. Cristalina - parecia ter vida!
         E agora? Como eu iria descer?!
         Não tinha como. Era muito alto, não sabia como fazer.
         Toda essa trajetória, eu ia descrevendo ao grupo. Umas acrescentavam detalhes observados por elas, pois estávamos na mesma sintonia.
         Eu tinha que descer!
         Então uma amiga do grupo disse:
         -“ Beth, pule que eu já pulei, você vai ter uma surpresa”.
         Pulei e o que aconteceu me deixou radiante.
         Ao pular eu simplesmente flutuei. Flutuei e desci ao lado das águas. Foi uma sensação que estremeceu o meu corpo inteiro. Parecia que eu estava levando leves choques pelo corpo.
         Era lindo ver dali onde eu estava aquela queda d´água. Ela caia levemente em linha reta, batendo em algumas pedras e se juntava ao lago.
         Nós já estávamos todos embaixo e comentávamos sobre a visão. De repente, as águas começaram a se movimentar, como se tivessem ondas. Elas se moviam da margem para o centro do lago, sendo que o lago só tinha meio circulo, pois o restante era encostado nas rochas. As águas se movimentavam sempre de fora para dentro.
        Passado um tempo, no centro, elas começaram a borbulhar. Esse borbulhar foi crescendo e algumas ficaram altas, a uma altura de mais ou menos, um metro a um metro e vinte centímetros. Eram vários tamanhos. Todas localizadas no centro.
         Pareciam águas cantantes que se veem em algumas fontes. Seus movimentos pareciam os de um musical, e as águas refletiam luz, muita luz. Passavam uma energia tremenda, ficamos extasiadas.
         As águas se mostraram vivas para nós. Não sentimos medo algum.
         Depois elas foram parando, e tudo voltou ao normal - um lago sereno. Ninguém tocou a água.
         Quando ficamos refeitas das emoções, demos um impulso, levitamos e subimos ao túnel para voltar. Retornamos, e, já conscientes comentamos o acontecido. Foi uma experiência muito marcante, para mim e para o meu grupo.
         Em minhas meditações sempre que posso vou até a caverna. Ela é como um templo para mim. Nela posso me energizar, pedir ajuda, agradecer e conversar.
         E isso tudo me foi confirmado, outra vez, de maneira muito forte. Há tempos atrás, eu passei uma fase muito difícil. Meu lado emocional ficou muito abalado, e acabou prejudicando o lado físico também.
         Deveria ter reagido, mas não consegui. Fiquei um trapo. Na época foi algo de terrível para mim. A única coisa que não abalou foi a minha fé. Graças a Deus também não me faltaram amigas para dar-me forças.
         Então, eu no auge desse abalo, recorri à caverna. Fiz novamente todo aquele trajeto, e cheguei ao lago. Sentei no chão fora da água e conversei. Chorei, expus tudo o que me aconteceu e como me sentia.
         Então aconteceu o entrosamento das águas comigo. Elas me passaram um profundo bem estar, e senti que o acontecido era apenas mais uma página a ser virada.
         As águas cantaram outra vez...
         Eu me deitei nas águas de barriga para cima e sentia todo o meu corpo vibrar.  Eu estava muito debilitada, muito magoada. E aquele vibrar parecia ir até o fundo de minha alma. Fiquei naquelas águas não sei por quanto tempo.
         Depois de bem relaxada, as águas se juntaram ao centro, deixando o meu corpo deitado na areia. Era uma areia meio grossa. Deitada, do jeito que estava, com os braços separados, senti a areia esquentar.
         A areia ficou quente, bem quente, porém suportável. Senti uma onda de calor percorrer toda a minha coluna. Toda a parte óssea do meu corpo recebeu como uma irradiação. Fiquei deitada por bom tempo e não queria mais sair dali. Relaxei de tal maneira, que depois de um tempo me senti outra.
         Sai da sintonia e voltei. Desse dia em diante, consegui melhorar e me recuperei totalmente.
         Tenho esse lugar gravado no meu coração e na minha mente. Agradeço a essa LUZ AZUL, que no meio da escuridão me revelou um paraíso. Não sei porque eu mereci tanto.

Beth


Um comentário:

  1. Desculpe, Beth, hoje vim aqui pra desabafar: soube da morte de Zéllus Machado, um artista completo aqui da região que alegrou a vida de muita gente: era escritor, ator, palhaço, cantador de cirandas, levava sua poesia e música para todos os cantos com esse único objetivo: se doar e doar felicidade.
    Cheguei a trocar vários emails com ele sobre seu trabalho que deveria ser reconhecido no País e no mundo de tão belo, sensível e criativo. Mas não cheguei a conhecê-lo pessoalmente. Houve uma oportunidade sim, quando ele se apresentou dia 19 de janeiro agora numa das tendas da praia para um show. Eu podia ter ido e por preguiça não fui, estava cansada e seria de noite. Sempre achando que seria uma questão de tempo para vê-lo de perto e trocarmos ideias. Como estou triste e arrependida nesse sábado, beth, ele se foi subitamente aos 53 anos, com tanto o que viver ainda. Seus amigos e familiares estão inconsoláveis, está todo mundo atônito.
    Perdi eu, com meu egoísmo. Não apertei a sua mão, não vibrei com sua alegria, não peguei emprestado sua energia, não ouvi sua voz nem sua melodia. Bem feito pra mim.
    Quero crer que tão logo ele se recupere do próprio suto da morte, já comece a alegrar todo o céu, brilhando como uma estrela linda e sendo feliz na eternidade.

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