Era madrugada, por volta das
quatro horas da manhã. Estava dormindo, quando acordei sentindo uma presença!
Abri os olhos e vi aos pés da minha cama, uma moça e um homem muito alto. Fechei
os olhos, esfreguei as mãos neles, achando que estava sonhando. Não estava. Ali,
aos pés da cama continuava a moça e o homem.
A moça era de estatura baixa, estava
vestida com uma blusa colada no corpo, uma saia curta e um colete comprido
chegando aos quadris; dava a impressão que era de couro; toda a roupa era
escura; não consegui definir o tom. O cabelo era curto, tipo chanel, com as pontas
bem desfiadas e espetadas; usava uma maquiagem forte. Parecia ser uma roqueira
ou gótica.
Ela andava de um lado para o outro,
olhando para baixo, como se estivesse procurando alguma coisa. Eu tinha certeza
que ela não me via, e nem sabia que estava em uma casa. O homem estava atrás
dela. Eu sabia que era um homem, mas não via o seu rosto; ele era muito alto.
Na posição em que ele estava - bem encostado ao guarda-roupa - o que seria a
cabeça dele, chegava quase no maleiro. Ele não estava vestido com roupas iguais
às que usamos. Usava uma túnica clara. Estava imóvel.
No começo da visão, achei que os dois
estavam juntos, que eram companheiros, mas depois notei que a moça também não
percebia a presença dele. A moça continuava a andar de um lado para o outro,
como que à procura de algo que não achava. De repente ela foi para o lado de
porta do quarto e não apareceu mais.
O homem continuava imóvel e de repente,
uma luz bem pequena percorreu todo o contorno de seu corpo. Como no filme “Jornada
nas Estrelas”, quando faziam o tele transporte, o corpo dele começou a
desaparecer, devagar foi sumindo, sumindo... Sumiu.
Fechei os olhos e adormeci.
Acordei no horário de sempre, às 6h30. Levantei, e me lembrava, muito bem, do
ocorrido. Tomei café e fui trabalhar.
Durante o dia vinha, constantemente, em
minha mente o acontecido. Por que aquela moça estava em casa? O que ela queria?
O que procurava? Quem era aquele homem? Estava mesmo com ela? Por que eu não
via o seu rosto? Ele aparentemente não tinha nada a ver com ela. Eram muitas
perguntas; perguntas sem respostas.
Era a primeira vez que eu via alguma
coisa em casa. Depois que fui morar no apartamento, não tinha acontecido
nenhuma visão. Algum significado tinha aquela aparição. Só que eu não sabia
qual. Fiquei com aquela imagem na cabeça o dia todo.
À noite, depois do lanche, quando
estava escovando os dentes, minha ficha caiu... Aquele homem não era
companheiro dela. Aquele homem, sem cabeça (cabeça que eu não via) era um
mentor! Ele a levou em casa, ele estava protegendo-a. De repente, a ideia ficou clara, era isso. Só
poderia ser isso!
Eu me arrumei e fui para minha reunião,
pois todas quartas feiras têm meu compromisso espiritual. Chegando à reunião,
tudo correu normalmente, quase no final, pedi para contar o que havia me
acontecido, pois durante o dia a imagem daquela moça, seu jeito, me passa que
ela era viciada ou drogada, que talvez tivesse tido uma overdose.
Contei com detalhes do ocorrido e o que
eu tinha sentido; quase no final comecei a passar mal, a sensação que eu tinha
era de um “João Bobo”; parecia que eu caia para frente com o rosto no chão e
voltava. Era um mal estar muito grande. Aí.. não era mais eu... era outra... a
moça!
A mentora do meu grupo, como sempre a
ajudou. Conversou com ela; a moça não sabia de nada, do que tinha acontecido
com ela; esteve numa festa de embalo. Ela nem sabia naquele momento, onde
estava. O excesso de drogas fez com que ela fizesse a passagem. Uma moça bonita,
nova, deveria ter uns vinte e dois anos; as companhias e as drogas tinham
vencido. Mais uma vida estava jogada fora...
Assim como essa moça, quantos e quantos
jovens se encontram nessa situação. Acho que não retornam. É uma pena... A
falta de estrutura familiar, a falta de amor, de carinho com os filhos, pois os
pais não têm tempo. Mas precisam dar esse amor; tem que dizer que os amam e que
os filhos são muito importantes para eles.. Os filhos têm que saber! Pois
sentindo amor, eles sentirão confiança, e com isso, qualquer dificuldade será
resolvida mais facilmente.
Todos os jovens deveriam ter
conhecimento do quanto eles são importantes, e que eles assim - como todos nós,
temos algo muito valioso dentro de nós. Basta ter conhecimento de que esse bem valioso existe, pois assim, com esse
conhecimento poderão ativar, a qualquer hora, em qualquer momento; basta
querer. Esse algo importante é a “Centelha
Divina”, a força de poder que
todo ser humano tem, mas que poucos conhecem: Centelha que nos impulsiona ao infinito. E quando há essa conexão,
conseguimos nos conectar física e mentalmente, restabelecendo toda harmonia;
isto quer dizer, nunca estamos sozinhos. Os jovens que têm amor, não chegam ao
ponto que essa moça chegou...
Voltando ao ocorrido. Agora eu sei,
graças àquele mentor, que eu tive a visão. Ela realmente foi levada à minha
casa, eu precisava ver; precisava pensar nela o dia todo... Esse era o caminho
para, à noite, ela ter condições de ser levada à reunião, de pedir e aceitar
ajuda.
A moça, depois de amparada,
começou a chorar, pediu e aceitou ajuda... Todos do grupo ficaram tristes pelo
ocorrido com a moça. Mas felizes por esse mentor que pôde trazer essa moça até
a nossa reunião e pôde se conscientizar da nova vida que estava prestes a
começar.
Ao partir, a moça sabia que ia ser
tratada em um hospital e que teria muito amor e apoio. Partiu agradecendo.
Depois que ela partiu, eu ainda fiquei com
certo mal estar. Mas logo conseguimos eliminar tudo. Ao terminar a reunião, todos
nós fizemos uma oração em conjunto, em intenção dessa moça.
Lembrarei sempre dela; nem o nome ela
sabia... não lembrava, é uma pena.
Em todo esse acontecimento, tem um fato
que me faz pensar- a primeira vez que vi
um mentor espiritual, também vi o corpo todo com a túnica branca; ele estendeu
a mão e eu senti sua mão gordinha; senti carinho e confiança. Me senti muito
bem, embora não visse seu rosto. Não vi e não fez falta, para mim era normal.
Agora com esse outro mentor, aconteceu a mesma coisa. É estranho, não é?
Sei que o rosto dos dois existe, só que
ainda não foi me permitido ver.. só isso... Espero poder sempre ajudar, de uma
maneira ou de outra....
Beth
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