terça-feira, 1 de maio de 2012

A Moça....


Era madrugada, por volta das quatro horas da manhã. Estava dormindo, quando acordei sentindo uma presença! Abri os olhos e vi aos pés da minha cama, uma moça e um homem muito alto. Fechei os olhos, esfreguei as mãos neles, achando que estava sonhando. Não estava. Ali, aos pés da cama continuava a moça e o homem.
A moça era de estatura baixa, estava vestida com uma blusa colada no corpo, uma saia curta e um colete comprido chegando aos quadris; dava a impressão que era de couro; toda a roupa era escura; não consegui definir o tom. O cabelo era curto, tipo chanel, com as pontas bem desfiadas e espetadas; usava uma maquiagem forte. Parecia ser uma roqueira ou gótica.
         Ela andava de um lado para o outro, olhando para baixo, como se estivesse procurando alguma coisa. Eu tinha certeza que ela não me via, e nem sabia que estava em uma casa. O homem estava atrás dela. Eu sabia que era um homem, mas não via o seu rosto; ele era muito alto. Na posição em que ele estava - bem encostado ao guarda-roupa - o que seria a cabeça dele, chegava quase no maleiro. Ele não estava vestido com roupas iguais às que usamos. Usava uma túnica clara. Estava imóvel.
         No começo da visão, achei que os dois estavam juntos, que eram companheiros, mas depois notei que a moça também não percebia a presença dele. A moça continuava a andar de um lado para o outro, como que à procura de algo que não achava. De repente ela foi para o lado de porta do quarto e não apareceu mais.
         O homem continuava imóvel e de repente, uma luz bem pequena percorreu todo o contorno de seu corpo. Como no filme “Jornada nas Estrelas”, quando faziam o tele transporte, o corpo dele começou a desaparecer, devagar foi sumindo, sumindo... Sumiu.
Fechei os olhos e adormeci. Acordei no horário de sempre, às 6h30. Levantei, e me lembrava, muito bem, do ocorrido. Tomei café e fui trabalhar.
         Durante o dia vinha, constantemente, em minha mente o acontecido. Por que aquela moça estava em casa? O que ela queria? O que procurava? Quem era aquele homem? Estava mesmo com ela? Por que eu não via o seu rosto? Ele aparentemente não tinha nada a ver com ela. Eram muitas perguntas; perguntas sem respostas.
         Era a primeira vez que eu via alguma coisa em casa. Depois que fui morar no apartamento, não tinha acontecido nenhuma visão. Algum significado tinha aquela aparição. Só que eu não sabia qual. Fiquei com aquela imagem na cabeça o dia todo.
         À noite, depois do lanche, quando estava escovando os dentes, minha ficha caiu... Aquele homem não era companheiro dela. Aquele homem, sem cabeça (cabeça que eu não via) era um mentor! Ele a levou em casa, ele estava protegendo-a.  De repente, a ideia ficou clara, era isso. Só poderia ser isso!
         Eu me arrumei e fui para minha reunião, pois todas quartas feiras têm meu compromisso espiritual. Chegando à reunião, tudo correu normalmente, quase no final, pedi para contar o que havia me acontecido, pois durante o dia a imagem daquela moça, seu jeito, me passa que ela era viciada ou drogada, que talvez tivesse tido uma overdose.
         Contei com detalhes do ocorrido e o que eu tinha sentido; quase no final comecei a passar mal, a sensação que eu tinha era de um “João Bobo”; parecia que eu caia para frente com o rosto no chão e voltava. Era um mal estar muito grande. Aí.. não era mais eu... era outra... a moça!
         A mentora do meu grupo, como sempre a ajudou. Conversou com ela; a moça não sabia de nada, do que tinha acontecido com ela; esteve numa festa de embalo. Ela nem sabia naquele momento, onde estava. O excesso de drogas fez com que ela fizesse a passagem. Uma moça bonita, nova, deveria ter uns vinte e dois anos; as companhias e as drogas tinham vencido. Mais uma vida estava jogada fora...
         Assim como essa moça, quantos e quantos jovens se encontram nessa situação. Acho que não retornam. É uma pena... A falta de estrutura familiar, a falta de amor, de carinho com os filhos, pois os pais não têm tempo. Mas precisam dar esse amor; tem que dizer que os amam e que os filhos são muito importantes para eles.. Os filhos têm que saber! Pois sentindo amor, eles sentirão confiança, e com isso, qualquer dificuldade será resolvida mais facilmente.
         Todos os jovens deveriam ter conhecimento do quanto eles são importantes, e que eles assim - como todos nós, temos algo muito valioso dentro de nós. Basta ter conhecimento de que esse bem valioso existe, pois assim, com esse conhecimento poderão ativar, a qualquer hora, em qualquer momento; basta querer. Esse algo importante é a “Centelha Divina”, a força de poder que todo ser humano tem, mas que poucos conhecem: Centelha que nos impulsiona ao infinito. E quando há essa conexão, conseguimos nos conectar física e mentalmente, restabelecendo toda harmonia; isto quer dizer, nunca estamos sozinhos. Os jovens que têm amor, não chegam ao ponto que essa moça chegou...
         Voltando ao ocorrido. Agora eu sei, graças àquele mentor, que eu tive a visão. Ela realmente foi levada à minha casa, eu precisava ver; precisava pensar nela o dia todo... Esse era o caminho para, à noite, ela ter condições de ser levada à reunião, de pedir e aceitar ajuda.
A moça, depois de amparada, começou a chorar, pediu e aceitou ajuda... Todos do grupo ficaram tristes pelo ocorrido com a moça. Mas felizes por esse mentor que pôde trazer essa moça até a nossa reunião e pôde se conscientizar da nova vida que estava prestes a começar.
         Ao partir, a moça sabia que ia ser tratada em um hospital e que teria muito amor e apoio. Partiu agradecendo.
         Depois que ela partiu, eu ainda fiquei com certo mal estar. Mas logo conseguimos eliminar tudo. Ao terminar a reunião, todos nós fizemos uma oração em conjunto, em intenção dessa moça.
         Lembrarei sempre dela; nem o nome ela sabia... não lembrava, é uma pena.
         Em todo esse acontecimento, tem um fato que me faz pensar-  a primeira vez que vi um mentor espiritual, também vi o corpo todo com a túnica branca; ele estendeu a mão e eu senti sua mão gordinha; senti carinho e confiança. Me senti muito bem, embora não visse seu rosto. Não vi e não fez falta, para mim era normal. Agora com esse outro mentor, aconteceu a mesma coisa. É estranho, não é?
         Sei que o rosto dos dois existe, só que ainda não foi me permitido ver.. só isso... Espero poder sempre ajudar, de uma maneira ou de outra....
Beth

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