Passado um tempo, comecei a sentir uma comichão, parecia que tinha bichinhos andando pelo meu rosto, braços e pernas.
Depois de um tempo, comecei a sentir no meu rosto, alguns fiapos compridos. Esse tipo de sensação eu já vinha sentindo em algumas reuniões passadas. Eu tentava não me ligar nessa sensação, mas não conseguia.
Não me controlei e comecei a passar as mãos no rosto, tinha a nítida impressão de serem teias de aranhas. Essa sensação já durava um bom tempo e de repente eu me vi em um corredor muito escuro. Era um corredor largo, suas paredes e teto eram de pedras. Comecei a andar, só então senti as teias de aranhas passando pelo meu rosto e braços. A sensação era horrível.
O lugar era totalmente abandonado. Eu ia passando as mãos na minha frente para tirar as teias, e ia andando. Nesse corredor havia muitas portas, tanto do lado direito como do esquerdo, uma bem longe da outra.
Comecei a sentir frio, só então percebi a umidade do lugar. Era muito úmido. Não havia nenhuma janela, nenhum buraco pelo qual pudesse entrar um pouco de ar, era tudo pedra.
Eu andava, não sabia para onde, aquilo era imenso. Aquele corredor parecia não ter fim. Andei até que diante de uma porta, parei...
Só nesse momento percebi que havia uma janelinha, era fechada pelo lado do corredor, quem estivesse dentro, jamais poderia abri-la. Fiquei um pouco apreensiva, e resolvi abrir a janelinha, para olhar o cômodo. Abri e fiquei estarrecida. Vi uma moça presa, amarrada em uma pilastra, abri a porta do cômodo e entrei.
O lugar era arrepiante, senti uma sensação horrível, eu não sabia se a moça estava viva ou morta. A expressão do rosto era triste, de muita dor. Dor, não só, a dor corporal, mas a dor da alma. E o mais triste: um ódio mortal!
Eu, ali, olhando para ela, sem entender o porquê de eu estar ali, sem poder fazer nada, e sentindo todas aquelas emoções que eram dela.
Ela não tinha nenhuma consciência, nem material e nem espiritual, não sabia seu real estado. Também não percebia minha presença.
De repente, como em uma tela de televisão, comecei a ver o desenrolar de um drama. Era uma época remota, acho que por volta do ano de 1700. O ocorrido não foi no Brasil e sim na Europa. Vi um palacete bonito, não era suntuoso, mas bonito. Vi-me dentro de suas muralhas.
Em frente de sua porta principal, estava parada uma carruagem. Ao lado da carruagem, um senhor e uma senhora muito bem vestidos, estavam se despedindo de uma moça, era a mesma que estava amarrada. Ela era muito bonita. Um vestido lindo; era uma menina-moça.
Eles se abraçaram e choravam. Aqueles senhores eram seus pais e havia muito amor entre eles. A filha deixava o lar para desposar Jesus. Iria para um convento, com dezessete anos. Sabia que jamais iria encontrar seus pais outra vez. A carruagem recebia um enorme baú, com seus pertences e um rico dote. Dote este que iria para a Congregação.
Ela entrou chorando muito, mas não ia forçada, ela tinha decidido e feito sua escolha. Deu mais um adeus aos pais e partiu.
Ao anoitecer, a moça chegou a um castelo, onde iria passar a noite, e na manhã seguinte, iria continuar a viagem até ao convento. Ao chegar, foi recebida por um mordomo, que a conduziu a uma sala enorme.
Aguardou alguns minutos e chegou um senhor mais velho, um Barão, junto com sua esposa. Ambos pertenciam à congregação do convento. O Barão ao vê-la foi tomado por um forte desejo. Ela era muito bonita parecia um anjo. E, ela na sua simplicidade, cumprimentou-os, beijando-lhes as mãos.
Eles a acolheram muito bem, conversaram e disseram-lhe que ao raiar do dia, o Barão a acompanharia até o convento. A Baronesa se despediu, desejando-lhe uma boa viagem, pois por ser muito cedo, não a veria no dia seguinte. A moça agradeceu.
Nisso o mordomo a aguardava e se dirigiram para o aposento onde iria passar a noite.
Ela entrou e olhou bem aquele lugar melancólico, sentou-se na cama e começou a chorar. O seu coração estava muito apertado. Não sabia o porquê, mas estava muito triste, angustiada, queria que a noite passasse logo e, assim acabou adormecendo.
De madrugada, sentiu que não estava sozinha no quarto. Levou um grande susto, quando se deparou com o Barão. Ele pediu que ela se acalmasse, que só tinha vindo para ver se ela estava bem.
Ela se controlou e ele começou a conversar sobre a decisão dela, e depois tocou em outros assuntos. Por fim, se insinuou, dizendo que ela era muito bonita e passou a mão em seu rosto.
A essa altura, a moça estava apavorada. Ele não se controlando, agarrou-a e beijou-a.
A moça desesperada pedia pelo amor de Deus que a largasse. Ele totalmente descontrolado, a beijava e agia como animal, querendo possui-la.
Em desespero a moça começou a gritar. Ele de imediato a espancou, e ela perdeu os sentidos. O que aconteceu depois, eu não sei, não vi mais nada.
Quando a visão retornou, já era no quarto, onde a moça estava amarrada.
Ali onde ela se encontrava, não era um quarto qualquer, era um calabouço, embaixo do Castelo. Aquele corredor era um túnel e aquelas portas davam para vários calabouços.
Naquele lugar devem ter estado vários prisioneiros; devem ter sido torturados, pois tudo ali era apavorante.
A moça estava desmaiada e amarrada, quando recuperou os sentidos é que percebeu o que havia acontecido.
Coitada! Seu mundo desabara; ela ali amarrada em total desespero, pensava nos pais, que horas antes abraçara. Lembrava-se de toda a sua vida, da sua infância. Por que tudo isso aconteceu? O que ela tinha feito? E no meio desses pensamentos, o Barão chegou.
Ela começou a chorar. Ele queria que ela o aceitasse, que fosse sua amante. Ela recusava aos prantos e, ali mesmo amarrada como estava, ele a possuiu...
Era animalesco ver aquilo! A coitada quase morreu!
Satisfeita a sua vontade, o Barão foi embora, pois sabia que jamais a teria, sabia que ela preferia morrer a aceitar essa situação. Ele voltou mais uma vez, e a encontrou semimorta, pois ficara dias sem comer e beber. Ele saiu e nunca mais voltou.
Ela ali, totalmente abandonada, só nutria ódio. Um grande ódio por aquele homem. E assim ela morreu...
Meu Deus! Como um ser humano podia fazer tal coisa?
E, eu vi tudo isso, mas quantas e quantas vezes, neste mundo, tudo isso pode ter acontecido? Quantas meninas e moças sofrem agressões assim? Quantas e quantas são violentadas, quanto ódio pode existir? Não dá para responder!...
Tudo isso que eu narrei, me foi mostrado de uma forma muito rápida, como um filme acelerado. E assim, a tela foi apagada...
Levei um tempo para sintonizar-me, e num estado de apreensão emocional, fui contando a todos do grupo.
A mentora do meu Grupo pediu que todos se concentrassem, mas que não tentassem ir até o local, pois as vibrações eram muito pesadas.
E num instante eu, estava ali, continuava em pé ao lado daquele corpo sem vida. Pensava em tudo que tinha visto, e em tudo que ela tinha sofrido...
De repente, comecei a sentir um ódio, um ódio tão grande, uma raiva descomunal por aquele homem.
Não havia outra lembrança, somente ódio. E, nesse estado, os mentores espirituais e o nosso grupo conseguiram trazer aquele espírito do lugar que estava.
Aos poucos fui voltando, e aos poucos fui me equilibrando, até que passou toda aquela sensação; voltei ao grupo.
O espírito dessa moça estava preso naquela vibração de ódio; não conseguia ver a ajuda que muitas vezes lhe chegara. A barreira que o ódio construiu, a deixava totalmente cega.
Quantos séculos esse espírito sofreu? Quanto ódio ele nutriu, a ponto de não perceber a ajuda tão valiosa que chegava sempre ao seu lado; não conseguia ver e nem sentir, o ódio anulava tudo.
Mas, graças a Deus, ela recebeu ajuda, foi levada, será tratada e conseguirá perdoar, e receber a paz tão necessária...
Meu Deus! Quantos séculos esse espírito sofreu e reviveu tudo isso que narrei?! Quanto sofrimento! Tudo por causa do ódio; e com ele a escuridão e a dor.
Ela nem sabia quanto tempo ficou nesse estado.
Mas Deus é Pai! Deus nunca abandona nenhum de seus filhos, ele sempre vem em nosso auxílio, de uma forma ou de outra. E a vez dela chegou; demorou, mas chegou.
A Luz sempre chega.....
Beth
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